segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O advogado e o juiz


Certo rapaz, trabalhador, honesto, muito responsável em relação aos seus familiares, daquele tipo de pessoa à qual ninguém podia apontar o dedo para fazer qualquer acusação, certo dia cometeu um deslize. Coisa pequena, mas que começou a macular seus vestidos brancos. Dado o primeiro passo em direção a nova vida – a de crimes – dali para o segundo foi fácil. Um pequeno descuido de alguém e lá estava o rapaz “passando a mão” no que não lhe pertencia. Sua vida de crime foi aumentando, até que ele enveredou totalmente para a marginalidade. Sua família era composta de pessoas da elite. Enquanto se pode manter o nome do jovem na clandestinidade, isto é, sem que se mencionassem suas origens, foi feito, até que um dia não conseguiram mais ocultar a verdade. 

Seu nome ficou conhecido, seus familiares, mais do que depressa, constituíram um advogado para defendê-lo. O moço foi retirado das grades. Ganhou liberdade. Comportou-se decentemente por um pouco de tempo, mas, não demorou muito, a lá estava ele de novo às voltas com a polícia. Novamente seu advogado foi acionado e o caso passou a ser rotina. O rapaz saia das grades e, não demorava muito, voltava. Dos pequenos furtos e assaltos, passou a praticar outros crimes maiores. Agora, já com quadrilha formada, atacava bancos, firmas, trens, ônibus e logo seus crimes passaram a assaltos e latrocínios. Alguns até com requintes de perversidades. 

Seu advogado, agora já trabalhando quase que exclusivamente para aquela família, estava sendo sempre acionado. De certa feita, o já bandido, temido pela cidade, praticou um latrocínio que lhe causou juramento de morte por parte da família da vitima. Mesmo assim, embora com muitos anos de pena a serem cumpridos, mais uma vez seu advogado conseguiu tirá-lo da prisão, não obstante, voltou a acentuar, sua grande periculosidade. Um dos membros da família de sua última vitima vingou-se, então, não do ladrão e assassino, mas do seu advogado que o houvera libertado. 

Certa noite, quando seu libertador chegava à sua casa, foi violentamente atacado e ferido, quase a ponto de morrer. Perdera muito sangue. Fora hospitalizado, mas recuperou-se e deixou o hospital. Já em condições de voltar à atividade, não perdeu mais tempo em defender bandidos. Num primeiro concurso para juiz, lá foi passou. Designado para determinada Vara da Justiça da Capital, agora não mais atendia a criminosos nas portas de cadeias, mas, sim, julgava-os. E quem é que chega para ser julgado por aquele juiz? O moço que tantas vezes ele defendera. O moço pela qual ele derramou seu sangue em defesa. Só que, agora, ele não estava mais em posição de advogado, mas de juiz, e diante dele estava alguém que havia errado muitas vezes e conseguido o perdão. Agora, entretanto, a situação era outra: O juiz foi implacável, condenando-o a morte. 

No final do julgamento, foi falado aos presentes que assistia àquela sessão do tribunal, o juiz fez lhes ver que por muitas vezes intercedeu por ele como advogado e conseguiu que lhe concedesse a liberdade. Porém, não havia mais condições para isso. O rapaz não levou em consideração as suas intercessões, nem mesmo seu próprio sangue derramado. Assim, terminou a vida daquela pessoa que não soube valorizar o sacrifício de outra em seu favor. 

E você? Já sabe que Jesus é o nosso advogado? Que ele derramou o seu sangue por nós? Que está intercedendo ao Pai em nosso favor e, um dia, será o juiz que irá julgar todas as nações? O que você escolhe: ser beneficiado desde já pelo sacrifício do Calvário e ter suas culpas perdoadas ou esperar pelo julgamento final, quando nosso atual advogado será nosso juiz e poderá nos condenar? 

Pense nisso! 

Fonte: Mensageiro da Paz, junho de 1994, (Ataíde Alves Franco),pág. 26.

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